Feliz Ano Novo

Diogo Domingues Carvalho | January 1st, 2009

Desejo a todos um feliz ano novo, mas que a felicidade não venha do jeito convencional. O que é dito “felicidade” pela maioria parece cada vez mais um cheque especial, só que muitos parecem se esquecer de pagar dentro dos dez dias sem juros.

Mas ainda assim, nessa data tão especial e comemorativa, devemos nos lembrar do aniversário de um dos maiores desastres da humanidade e dos pobres seres que até hoje sofrem por sua causa: a Revolução Cubana. Hoje faz 50 anos que Fidel subiu ao palco da prefeitura de Santiago para declarar a sua vitória e a derrota de uma população.

Desejo aos Cubanos um ano melhor e a Fidel e Raul o primeiro de vários ruins.

Guia: Como cantar uma crente

Diogo Domingues Carvalho | December 20th, 2008

Provavelmente você nunca vai precisar desse guia, mas nunca se sabe, é melhor se prevenir.

1 - Reconhecimento:

Quando você ver aquela menina linda, com cabelos longos (longos até demais), uma saia claramente fora dos padrões atuais de tamanho e um belo par de… livros, tome cuidado antes de se aproximar.

Primeiro atente para os sinais de que talvez não seja a garota descrita uma “irmã” (de outro, não sua, portanto não há nada de errado nisso). Normalmente os espécimes que têm o fenótipo explicitado são ou Nerds ou Irmãs, e cada uma exige uma forma de aproximação. Mas esse problema é fácil de ser resolvido, se a garota for uma Irmã de Fé, os livros em questão certamente serão uma Bíblia e outro de autoria de um pastor ou bispo.

As Nerds carregam espessos livros de biologia. Inconfundível. Além disso, essas diminuíram bastante atualmente, já que em prol da procriação da espécie humana, muitos homens têm levado elas a estudarem anatomia longe dos livros.

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Solidões

Renato Ribeiro Neto | December 12th, 2008

Não acho que as pessoas afeiçoem-se umas às outras apenas por necessidade, interesse, prazer, afinidade… Claro que há sim muito desses e mais de outros, mas há também elemento singular difícil de notar. As pessoas identificam nas demais um vazio que lhes é de certa forma familiar, uma solidão profunda enterrada no princípio de seu espírito essencialmente coletivo. Essa solidão comum a todos é pelos mesmos selada, fator oculto do processo de socialização. Afeiçoar-se é, em parte, o aprazer dissimulado das solidões que se buscam mutuamente em afagar tantálico. O resultado é a ilusão da derrocada da angústia do indivíduo racional que, por alguns instantes, conforta como nada mais é capaz de confortar, mas então novos instantes emergem e a solidão companheira se vai. É assim que aquela solidão antes selada trazida ingenuamente para brincar revela-se em sua avassaladora infinitude. O indivíduo depara-se com essa esfinge que não espera a resposta errada para começar a devorá-lo. A única saída é devorar-se em busca da solução do enigma, a qual novamente selará a solidão, besta inerente a cada um de nós cujo desvendar infindável é gradativo e tolerável quando selada, mas exacerbado e torturante quando liberta.

Rede de Mentiras (Body of Lies)

Bruno Ribeiro Abreu | December 8th, 2008

SPOILER - leia por conta e risco

Leonardo DiCaprio é um agente de campo da CIA, pelo menos em teoria, porque na prática ele não sabe se é americano ou árabe. A CIA com todos seus satélites, hackers, SUV´s turbinados e uma montanha de dinheiro não consegue nada na guerra contra o terror. Os terrorista, trocando informações com métodos tão rudimentares como crianças trocando bilhete enquanto a professora fala, conseguem driblar todo o aparato tecnológico e fazer a personagem de Russell Crowe de bobo. Russel Crowe é um chefão da CIA, gordo e prepotente, subestima todos os árabes e sempre se da mal. Essas críticas estereotipadas do serviço de inteligência norte-americano não faltam no cinema, e para falar a verdade, já cansaram há muito tempo. O golpe fatal contra o burocrata americano acontece quando Hani, o chefe do serviço secreto saudita entra em ação. Ele humilha os americano, consegue resultados positivos na luta contra os terroristas enquanto ainda ajuda a pobre mãe do ex-candidato a homem bomba que se arrependeu. Os americanos empilham cadáveres e mais cadáveres, invadem a privacidade de todos com seus satélites e não conseguem nada! Hani só seria mais humilhante para os americanos se ele parecesse um árabe, porque embora chefe do serviço de inteligência saudita, ele fala como um inglês, se veste como um inglês, tem o comportamento frio como o de um inglês, o charme dos James Bonds antigos e ainda toma chá de tarde!!! O caso de amor do Leonardo DiCaprio também não convence ninguem, não sei se é porque a atriz foge do padrão de beleza do tipo de garota que você arriscaria sua vida caso um grupo de terrorista a seqüestrasse só para te pegar depois ou porque como ela é muçulmana, não da para imaginar ninguem colocando a vida em risco por uma mulher que não te deixa pegar nem na mão. Esculhambando algumas partes do filme, o que sobra é bom… e divertido. Vale o ingresso.

John Adams

Bruno Ribeiro Abreu | December 4th, 2008

As séries da HBO geralmente são muito boas, não entendo como nunca causam repercussão do lado de baixo do equador. A última que me surpreendeu muito, muito mesmo, foi John Adams. A mini-série de 7 capítulos conta a história do advogado que foi o segundo presidente dos Estados Unidos e ao lado de Thomas Jeferson, George Washington, Benjamin Franklin e outros menos notórios fizeram a independência de seu país. O próprio John Adams é um gordinho que a primeira vista parece não valer nada, mas sua inteligência o faz ser respeitado e admirado. Durante toda a independência ele sempre era chamado para assumir posições importantes. As personagens história são bastante interessante, bem caricaturais, e os diálogos muito inteligentes. É um pecado ver Heroes liderando audiência por ai enquanto nem se escuta falar de obras primas como esta. A crítica parece ter gostado bastante da série também, ela levou vários Emmys.

John Adams não tem sua cara estampada em notas de dólar, a história mostrada na televisão diz que ele merecia. Mas enquanto certas nações têm dificuldade para escolher entre os vários patriotas que colocaram suas vidas em risco pelo país ou que contribuíram intelectualmente para uma nova visão do mundo, outras, por escassez de homens de valor, preferem estampar micos-leões, onças pintadas e araras. Vale lembrar que quando a Globo fez uma mini-série sobre a Família Real no Brasil e a proclamação da República era tudo em tom cômico. Marcos Palmeira interpretava Dom Pedro, que embora parecesse ser a única pessoa com coragem no país, era um beberrão mulherengo que todo capítulo acordava pelado na fonte com uma garrafa de vinho na mão. A série era boa de assistir, mas dava vergonha de mostrar, é daquele tipo de piada que não sai de casa.

Cachorro recebe diploma de direito nos EUA

Bruno Ribeiro Abreu | December 1st, 2008

Link aqui!

Quem será o próximo? Renato? Diogo? Eu?

Enquanto estudava o padrão ouro….

Bruno Ribeiro Abreu | November 26th, 2008

me deparei com esse vídeo na internet. Preconceito bobo, mas divertido.

“Cirurgia plástica foi feita para ajudar os nerds”

Diogo Domingues Carvalho | November 21st, 2008

Esse é o título de uma entrevista que vai sair em 2457, no informativo da Secretaria de Comunicação do Estado de Minas Gerais, mais conhecido por Estado de Minas. A frase em questão foi dita por J. Cristo, famoso filho do Criador em sua terceira visita ao mundo dos mortais (na segunda vez ele foi confundido com um velho louco com sotaque engraçado e não foi muito levado a sério).

Só para colocar todos a par do assunto, aqui vai uma explicação do contexto que levou a matéria a ser capa. Após a décima quinta rinoplastia do mais famoso político das praias cariocas, Aécio Neves, notícias sobre cirurgia plástica foram frisson durante mais de 15 minutos em toda a mídia, batendo o recorde de duração de pautas jornalísticas dos últimos 178 anos (fato que ninguém lembrou por não ter cérebro ou Google com memória o bastante para lembrar disso).

Para se ter uma idéia da importância da mudança estética do ex-governador e atual candidato a “Bermudão mais bonito de Ipanema” (cargo com mais poder que o de Jogador do Dia da FIFA), o último fato a ser levado em tanta consideração foi a invasão da casa do Big Brother Global Edition por um ativista do Greenandblackpeace. Ele reivindicava alguma ação do Estado para conter a praga sub-norte-inter-amazônica* de pandas, que já haviam comido metade das plantações do mundo (ou 900 milhões de campos de futebol, segundo o IBGE). Durante 14 minutos e 32 segundos não houve notícia que não citasse os lindos bichinhos peludos.

Mas voltemos ao contexto histórico do momento em que a entrevista vai ser lançada. J. Cristo, ou Jorge Cristo para os menos íntimos, tinha voltado à Terra 20 anos antes, em um parto com um mega show explosivo aberto pelo RBD e o tataraneto de Bono Vox, para mais de 500 milhões de pessoas. Com medo de ninguém acreditar que aquele era seu filho, Deus dessa vez mandou mais uma mulher comprovadamente virgem para ter o filho, o que realmente será algo impossível à época. Alguns ginecologistas ainda desconfiaram, mas como Boninho Vox VIII aderiu ao movimento, isso foi rapidamente esquecido.

Sem mais delongas, aqui está a entrevista transcrita por uma máquina - que fez também a entrevista e a editou, mais ou menos nos padrões mecânicos do jornalismo atual. (Vale frisar que essa máquina será o maior jornalista/blogueiro esportivo da época).

Interviewer_Transcription _and_Edition_V._5.67 pergunta para J_Cristo_20_Comer: Beetz… Click… Click… Pwoom… Jorge Cristo, o que você acha do novo nariz de Aécio Neves… beep…, o Bermudão de Ouro de Ipanema deste ano?

J_Cristo_20_Comer responde Interviewer_Transcription _and_Edition_V._5.67: Pô, muito brega né? Tá certo que empinar o nariz 15 graus, diminuir a circunferência dos buracos da narina em 0,3 milímetros e injetar gordura retirada da bunda para aumentar a ponta em zero ponto quatro centímetros cúbicos está na moda, mas num pegou bem nele não.

Interviewer_Transcription _and_Edition_V._5.67, após uma pequena falta de energia, recarga, filtração de óleo e backup do sistema que durou exatos 47 segundos, indaga J_Cristo_20_Comer veementemente : Bop… Bop… Beeeeeep Burp… O que seu pai acha sobre isso?

J_Cristo_20_Comer prega a palavra do senhor a todos da sala: Pois então, cirurgia plástica foi feita para ajudar os nerds. Lá pelos anos 2080, com o número de pessoas burras se procriando como humanos (porque nem coelho faz isso tanto), Papai resolveu ajudar. Inteligência unida de peito e bunda levantada faz milagres. Mas infelizmente não funcionou muito bem, as pessoas burras continuavam sendo as que não entendiam o funcionamento da camisinha e que não sabiam que pílula do dia seguinte não podia ser tomada um mês dep…

Interviewer_Transcription _and_Edition_V._5.67 sai da sala…

J_Cristo_20_Comer sai da sala…

Mensagem do sistema: Error 405: Fluxo de mensagens interrompido após um panda morder um cabo essencialmente essencial para a essência do sistema. Tente atualizar a página ou retorne mais tarde.

* Não se preocupem, os hífens voltam com força total no futuro.

Maldito

Renato Ribeiro Neto | November 20th, 2008

O mesmo tempo que tudo lava é aquele que constrói o que deve ser lavado.

Agora, nada importa o que eu escreva, nada importa o que eu diga ou tenha dito, nada importa o que eu tenha interpretado, querido, amado, bendito.

O que tudo importa é aquilo que não deixa minha atenção ou meus sonhos se desviarem. Essência daquilo que eu sempre admirei e busquei entender, propus-me alcançar, tentei defender e sempre… sempre perseverei em aprimorar. Essência da minha razão.

Tudo o que importa agora é essa angústia que me consome tempo a tempo. Logo ela que eu tanto admirei, nesse instante não passa da maldição que a muito profetizei. Maldito seja aquele que nos rogou a praga da indissociabilidade felicidade-angústia. Se é que existe, em seu infinito isento de dúvida ou amor, hoje, invejo-o. Logo eu que por tanto tempo o menosprezei e me gabei de minha efemeridade.

Admito sem hesitar, sem orgulho, sem pesar, hoje, invejo-o.

Lançamento do livro “O País dos Petralhas”

Bruno Ribeiro Abreu | November 18th, 2008

Eu não pretendia comprar o livro do Reinaldo de Azevedo tão cedo. Ando comprando mais livros do que consigo ler, e lendo os que eu menos preciso. A possibilidade de comprar o livro com preço promocional, autógrafo, um chapéu panamá de brinde (de qualidade previsível) e ainda encontrar algumas figurinhas interessantes de conversar me levou até o lançamento do livro e a comprar um exemplar (vi gente comprando uns 15 de uma vez). Gostei mais do chapéu do que da dedicatória na contracapa, depois de escrever quase 300, duvido que tenha algum significado individual aqueles rabiscos. Um carimbo com espaço para assinatura teria sido mais prático.

O mais espantoso foi o volume de pessoas que foram lá e que escutaram o Reinaldo de Azevedo falar por mais de uma hora, e ainda fizeram várias perguntas de cunho moral, histórico, religioso e político. Não é a primeira vez que um jornalista vira guru político no Brasil. Muitas pessoas que estavam lá pareciam tão desesperadas e sem expectativas de um cenário político menos comuna, que viam na figura do Reinaldo a salvação, um messias. Vale incluir, sem citar nome, certa figura da política regional, gente de partido… Nada contra a bajulação, simpatizo muito com as idéias do Reinaldo, só achei desproporcional. No lugar dele, não dispensaria tantas ofertas de jantares de graça.

No comentário do seu blog, o Reinaldo também pareceu um pouco surpreso com sua recepção em Belo Horizonte. Alguns blogueiros o apelidaram de “Rei”, exagerado.

“Pelo direito ao dissenso”.